Personagens sem objetivos.

Em minha experiência como narrador de RPG, já passei por diferentes sistemas e ambientações. Dos ‘block busters’ aos criados para atender demandas específicas e hypes de momento.

Alguns dos cenários, principalmente os mais políticos, um problema é recorrente. A falta de objetivos pessoais dos personagens.

No começo, quando um jogador migra de um jogo mais básico, como de tabuleiros por exemplo, que missões são fornecidas e a aventura termina com o cumprimento da missão, é compreensível que haja um período de adaptação, aonde o jogador percebe que se ele não tomar a iniciativa, a campanha fica devagar e sem propósitos…

Quando um personagem chega em uma campanha sem objetivos ditados pelo narrador, é frequente perguntas como “E ai? O que vai fazer? Para aonde vai?”, e é nessa hora que fica evidente que os jogadores estão colocando seus personagens como meros figurantes de uma história em que eles não fazem diferença.

Como mudar isso?

Alguns cenários estimulam já na criação do personagem a definir um ‘norte’, uma ‘direção’ que o personagem vai seguir. Isso deve estar condizente com características selecionadas na criação do personagem; no D&D temos o alinhamento, no velho Mundo das Trevas temos Natureza e Comportamento, etc.  Ao selecionar essas características, cabe ao narrador perceber se o jogador está selecionando essas características ‘mecanicamente’ ou se ele está de fato refletindo sobre o significado daquilo; No caso mecânico, é importante o Narrador interromper o processo já naquele ponto e informar o jogador que se ele não criar um objetivo e fazer o personagem buscar isso, vai virar mero coadjuvante jogando dados e seguindo a história dos outros; É importante porque essa situação pode estar sendo causada por falta de conhecimento do jogador sobre o cenário ou sobre as capacidades do personagem.

Outra forma de identificar quando um jogador não está pensando em objetivos para seu personagem, é analisar se o mesmo está explicando vantagens e desvantagens individualmente ou se está construindo algum tipo de ligação entre essas características, construindo assim um background ‘utilizável’.


Uma fórmula que o narrador pode usar para, talvez, auxiliar seus jogadores nessa parte é fazer 2(3) perguntas:

Qual a opinião de seu personagem sobre a sociedade / comunidade em que ele está inserido?

Responder essa pergunta vai possibilitar ao narrador identificar aonde falha o conhecimento do jogador sobre o cenário e também vai possibilitar identificar se as características comportamentais selecionadas são condizentes com a visão do personagem;

Você está satisfeito com o nível de poder / influência que seu personagem tem? Porquê?

Responder a essas duas perguntas vai fazer o jogador refletir sobre as intenções do personagem. Se o jogador estiver satisfeito, é provável que o que ele irá fazer o personagem buscar não é poder, mas algo além. Se ele não estiver satisfeito, é possível que a busca do personagem será por poder. E se esse for o objetivo, poder, é importante definir se o personagem / jogador entendem o que é poder no cenário do jogo e quais as personalidades que controlam esse poder.


Duas perguntas que irão auxiliar narrador e jogador a definir um personagem mais profundo, com maior envolvimento com o cenário e objetivos diferentes do que é ‘jogado’ na frente dele(s).

Tem opinião diferente? Tem método diferente? Deixe-nos saber nos comentários.

Personagens sem objetivos.

Interpretação por texto!

Um dos grandes problemas dos formatos de jogo que fazem uso massivo de texto, como PbF, PbP e PbEM é a dificuldade em demonstrar as expressões dos personagens.
É muito comum o  jogador começar a descrever os pensamentos do personagem na esperança de que o leitor, narrador e outros jogadores, consigam perceber o que o jogador quer que o seu personagem demonstre.Imagine-se em uma mesa de jogo. Você, enquanto jogador, irá narrar tudo o que seu personagem pensa? Ou irá dizer o que fez e, quando necessário, conversar com o narrador emulando a conversa do personagem com o NPC?

Bem, da forma como EU estou acostumado a jogar RPG, os pensamentos e reflexões do meu personagem eu guardo para mim, a não ser que algum poder qualquer me obrigue a expor os pensamentos do personagem.


Vamos exemplificar.
Leve em consideração a imagem abaixo:

Agora imagine uma pessoa entrando nesta igreja e descrevendo sua ação.

Com pensamentos:
Ele entrou no salão e observou a arquitetura do local; Observou a luz passando pelos vitrais, pousando suavemente nas pilastras. A arquitetura do lugar o remeteu a um passado longínquo, quando caminhava pelas geladas ruas de Glasgow. Em sua mente os rostos de amantes já falecidos se sobrepunham enquanto a cortina das lembranças se desenrolava. A distração o fez se distanciar do local e lembrar de seu senhor o ensinando os segredos que agora faziam parte de sua existência.

Sem pensamentos:
Ele entrou no salão e suas sobrancelhas se arquearam. Suas pupilas estreitaram enquanto ele olhava em direção aos vitrais. A bengala pendurada em seu antebraço balançou suavemente enquanto ele caminhava em passos lentos até a pilastra a sua esquerda, com a mão espalmada e erguida em sua frente. Com um toque gentil ele deslizou os dedos na pedra fria. Suas pálpebras se fecharam sob seus olhos e um breve instante se passou enquanto o silêncio dominava o ambiente.

Na primeira ação, a informação é fornecida de graça e deixa pouco a imaginação do leitor. A segunda, mais descritiva, alimenta a imaginação sem tentar explicar demais e sem correr o risco de fornecer informação que outros jogadores possam, inconscientemente, assumir que você as forneceu diretamente.

É claro que este assunto é questão de gosto. Há narradores e narradores, alguns podem preferir o primeiro método, mas EU, prefiro o segundo método.

E você?

Interpretação por texto!

Sobre a Pluralidade de Fóruns!

A quem chega ao Jogos de Interpretação por meios distintos da indicação direta, pode haver a dúvida sobre qual o motivo de haver MAIS um fórum / blog para a prática de PbF.
Para estes, faço esta postagem.

Antes de mais nada, o principal motivo de eu criar o Jogos de Interpretação é a necessidade de ter maior controle sobre as campanhas que pretendo prover.
Explico;
Já narrei por fórum no passado, já participei de projetos aonde fui narrador assistente e narrador principal, já joguei PbEM e PbFs, Joguei em chats e em salas de Mirc e em quase todos, um dos problemas recorrentes foi a desorganização e falta de recursos para administrar fóruns e tópicos de jogo.
Acredito que boa parte dos problemas sejam derivados da tecnologia da época que cerceava as idéias, mas não raro eram as barreiras impostas por ego.
Criando e administrando esse fórum tenho a possibilidade de controlar os rumos de minhas campanhas E colocar a prova os conceitos de que com boa vontade, humildade e interesse legítimo, podemos dar a outros narradores o apoio necessário para narrar.

O segundo motivo diz respeito ao layout.
Há fóruns ótimos disponíveis para se jogar e discutir RPG (já indico de cara o Nova Era RPG, movimentado e com boas opções de jogos e pessoal agradável) além de boas comunidades no Facebook, mas eu visito esses recursos de locais e equipamentos que nem sempre dispõe de velocidade e capacidade para processar layouts repletos de imagens, cores, sons e widgets/plugins; O que torna difícil para mim dar agilidade que, as vezes, se faz necessário.
Por isso este fórum vai permanecer ‘clean’, sem cores fortes, sem muitas imagens nas telas iniciais e sons somente quando necessário for.

Não tenho a pretensão de ter o maior veículo para este tipo de hobby, quero apenas ser o melhor possível e me divertir.

Isto posto, vamos a outras considerações.
Muitos fóruns surgem pois membros descontentes com as aplicações das regras decidem bancar o Bender e acabam por causar dissonância em uma comunidade já não muito unida. Muitos desses fóruns não vingam e campanhas se iniciam e morrem.
Muitos fóruns surgem por desinformação de seus criadores que não buscam e não se informam de antemão e quando se percebe, redundâncias são criadas.
Entre outros motivos, creio que não estarei imune a problemas de ego, mas farei o meu melhor para evitar picuinhas.
Ninguém aqui está obrigado a permanecer e inclusive, a desassociação ao fórum é opcional nos perfis.

Vou voltar a esse assunto no futuro, mas por hora, qual a opinião do visitante sobre isso?

Sobre a Pluralidade de Fóruns!